Por que o gargalo de maio só aparece em maio? Na maioria das operações, a resposta é simples: o plano de capacidade e o plano de demanda vivem em planilhas diferentes, revisadas em ritmos diferentes, por pessoas que não se sentam na mesma reunião.
Quando o ciclo mensal roda de verdade — com um único plano, valorizado em reais, decidido pela direção — o cruzamento entre demanda e capacidade aparece meses antes. Não é previsão melhor. É a mesma conta, feita no lugar certo.
Quatro meses de antecedência é a diferença entre negociar um turno extra e pagar frete aéreo.
Onde o gargalo é descoberto
O gargalo não é descoberto por um algoritmo mais esperto. Ele é descoberto porque a Revisão da Viabilidade Operacional acontece antes da Revisão Executiva, e porque alguém tem a obrigação de trazer a restrição da fábrica para a mesma mesa onde a demanda é discutida.
Com antecedência, as opções são todas baratas: antecipar produção onde há capacidade ociosa, negociar um turno, contratar um terceiro. Sem antecedência, sobram as caras: hora extra, frete aéreo e a venda que simplesmente não acontece.
O papel da rotina semanal
O ciclo mensal decide o plano; a rotina de S&OE/ITP entrega o plano. É ela que sente o desvio da semana contra o que foi decidido no mês, reprograma dentro das zonas permitidas e devolve ao ciclo o que saiu da tolerância. Sem esse elo, a melhor decisão de janeiro morre na primeira sexta-feira difícil de fevereiro.
Michel Nachbar, CSCP
Michel Nachbar, CSCP. 27 anos em supply chain, implantando S&OP e SAP IBP na indústria brasileira. Traduz cada release em decisão de planejamento.
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